BRASIL: Na ONU, EUA exigem inquérito sobre suposto ataque químico na Síria - EntornoInteligente

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WASHINGTON – Os Estados Unidos renovaram a pressão para a Organização das Nações Unidas ( ONU ) abrir um inquérito para descobrir os responsáveis por ataques químicos na Síria, após relatos de um novo suposto bombardeio com uso de gás cloro na cidade de Douma, na região de Ghouta Oriental — reduto rebelde que tem sido retomado pelas forças do regime do presidente Bashar al- Assad. A cidade é o último ponto sob controle dos insurgentes, que têm deixado a região após acordo com os governos de Síria e Rússia em direção ao Norte do país.

Os EUA circularam nesta segunda-feira um rascunho da versão atualizada de uma resolução que exige a medida, apresentada pela primeira vez em 1º de março. Os diplomatas disseram que os Estados Unidos exigem que os membros do Conselho de Segurança discutam a estratégia ainda hoje, na reunião marcada após o surgimento das informações sobre o ataque em Douma. À agência Reuters, fontes do governo americano sob anonimato disseram que os primeiros relatórios dos EUA sugeriam o uso de um agente nervoso no ataque, cujo tipo não foi especificado.

Os presidentes dos Estados Unidos e da França, Donald Trump e Emmanuel Macron, anunciaram no domingo uma “resposta forte e comum” após o suposto ataque químico que deixou dezenas de mortos em Douma. Grupos de ativistas de oposição acusam o regime sírio de estar por trás do ataque. Washington e Paris negaram qualquer participação, enquanto o Exército de Israel — acusado de bombardar uma base militar síria no centro do país nesta segunda-feira — se recusou a fazer qualquer comentário. Reino Unido e Alemanha pediram investigações sobre o caso.

O grupo de defesa civil Capacetes Brancos, que atua em zonas não controladas pelo governo, divulgou vídeos em que aparecem vítimas, muitas delas crianças — algumas sendo atendidas com máscaras de oxigênio, outras mortas, empilhadas. Nenhum órgão, porém, conseguiu confirmar de forma independente a origem do ataque e nem quantos morreram.

A organização Médicos Sem Fronteiras, que apoia hospitais e clínicas em zonas controladas pela oposição na Síria, afirmou nesta segunda não ter elementos para confirmar ou negar o suposto ataque com armas químicas. O Observatório Sírio de Direitos Humanos, ONG com sede em Londres que monitora a guerra na Síria, também não confirmou o uso de agentes químicos.

O chefe da ONG Human Rights Watch, Kenneth Roth, disse que o suposto ataque químico é um “crime de guerra que tem a marca do governo de Bashar al-Assad, mas a Rússia, seu aliado, compartilha potencial responsabilidade criminal”. Para ele, as nações deveriam consideram pressionar Putin antes da Copa do Mundo de junho na Rússia, pois “Assad já era um homem sem mais reputação”.

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— Este uso de armas químicas contra civis abrigados em seus porões é parte de um padrão amplo, não apenas de um padrão de uso de armas químicas, mas um padrão de alvejar civis que vivem em áreas mantidas pela oposição — disse Roth.

Homem passa por lavagem após ataque com gás cloro em Douma, na Síria – HO / AFP COQUETEL DE CLORINO COM SARIN

A Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) anunciou nesta segunda-feira que investiga as informações sobre o suposto ataque químico. A organização vai entrevistar testemunhas, colher amostras de sangue de sobreviventes e reunir dados sobre voos militares — métodos que se mostraram eficazes em investigações anteriores.

— A OPAQ fez uma análise preliminar das informações sobre a suposta utilização de armas químicas desde sua publicação — afirmou o diretor geral da organização, Ahmet Uzumcu. — Mais elementos serão reunidos para estabelecer se foram utilizadas armas químicas.

A organização disse que as vítimas de Douma podem ter sido alvos de coquetéis químicos com gás clarino e sarin. A União de Organizações de Assistência Médica, coalizão de agências de ajuda internacional que financia hospitais na Síria, afirmou que o número de mortos no ataque chega a 60. Segundo a organização com sede em Paris, mais de 1 mil pessoas precisaram de atendimento por problema respiratório.

“O número continua a subir enquanto agentes de socorro enfrentam dificuldade para ganhar acesso a áreas subterrâneas onde o gás entrou e centenas de famílias buscaram refúgio”, disse a entidade em comunicado nesta segunda-feira.

O secretário de Defesa dos EUA, Jim Mattis, afirmou que não descarta nada sobre o ataque químico, questionando o apoio russo ao presidente sírio Bashar al-Assad.

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— A primeira coisa que temos de investigar é por que armas químicas ainda estão sendo usadas enquanto a Rússia era o garantidor estrutural da remoção de armas químicas. Por isso, ao trabalhar com nossos aliados e parceiros da Otan ao Qatar e qualquer outro lugar, vamos lidar com essa questão — disse ele no início de uma reunião com emir do Qatar.

RÚSSIA NEGA USO DE ARMA QUÍMICA

Já os especialistas russos que compareceram à cidade de Douma não encontraram “nenhum rastro” de substância química, afirmou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.

— Nossos especialistas militares já compareceram ao local (…) Não encontraram nenhum rastro de cloro ou de qualquer outra substância química utilizada contra os civis — afirmou em uma entrevista coletiva nesta segunda-feira.

BRASIL: Na ONU, EUA exigem inquérito sobre suposto ataque químico na Síria

Con Información de OGlobo

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