BRASIL: Marinha mantém instalação de gradil à beira-mar no Porto - EntornoInteligente

OGlobo / RIO – A Zona Portuária teve uma boa e uma má notícia na manhã desta quarta-feira. A boa é que a Marinha retirou parte das grades que limitavam o acesso à chamada frente marítima, entre as praças Quinze e Mauá, aberta este ano a cariocas e turistas. A má: continua instalada a grade à beira-mar, porque o comando da força considera perigoso não haver nenhuma proteção, embora todo o projeto urbanístico do Porto Maravilha tenha sido elaborado sem grades — e até hoje sem acidentes registrados, com exceção de um cachorro que caiu na Baía de Guanabara e foi logo resgatado.

EDITORIAL: A Marinha precisa cumprir seu compromisso com os cariocas

Com a retirada parcial do gradil, apenas metade do problema foi resolvido. A equipe de reportagem do GLOBO conversou com frequentadores no entorno do porto e a opinião de todos é a mesma: ninguém quer saber das grades.

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— Esteticamente, aquele bando de grades acaba com a paisagem. É tão gostoso passar uma tarde ou um anoitecer aqui, as grades destoam completamente do cenário. Não é por medida de segurança nenhuma. Conheço militares, são enjoados mesmo. Há uma necessidade de mostrar poder e autoridade — afirma.

‘NÃO HÁ RISCO DE QUEDA’, DIZ FARJADO

Presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, o arquiteto e urbanista Washington Fajardo disse que pedirá à Marinha que sejam retiradas também as grades junto ao mar. Em entrevista ao “Jornal Hoje”, da Rede Globo, ele afirmou:

— A gente vai pedir que ela retire todas as grades, demonstrando como o projeto foi feito, planejado e construído, que aqui é uma área segura. Existe um limite visual claro. Não há risco de queda. Por essa lógica, a gente deveria gradear todas as ruas, porque as pessoas então poderiam cair no meio fio. A gente espera que a Marinha reflita. Sabemos que eles vão entender o valor maior desse espaço, que é de paisagem e espaço público.

Militar retira grade instalada pela Marinha próximo ao Largo da Candelária, no Centro do Rio – Gabriel de Paiva / Agência O Globo O contra-almirante Fernando Ranauro Cozzolino, chefe do Estado-Maior do Comando do 1º Distrito Naval, disse ontem que sua ideia é manter o gradil à beira-mar, instalado no início da Olimpíada. Segundo o oficial, uma criança já teria caído na água, na área da Marinha, e teria se afogado não tivesse sido salva por militares. Aos apelos de cariocas para que todas as grades sejam retiradas, Cozzolino responde que “proteger vidas no mar é uma das atribuições da Marinha, inclusive proteger o cidadão de si mesmo”.

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— Queremos substituir esse guarda-corpo provisório por uma estrutura permanente. Quando a Olimpíada acabou, convidamos a prefeitura para conversar sobre isso, queremos colocar uma proteção que não afete a paisagem. A Marinha é a maior interessada em não enfear a paisagem, mas já fomos notificados pela Guarda Marítima pela falta de segurança no local. A prefeitura não deu resposta — afirma o contra-almirante.

Segundo Cozzolino, “o fato de não ter havido nenhum acidente na Praça Mauá”, onde também não há guarda-corpo à beira-mar, “não significa que será igual” na frente marítima. Ali, afirma ele, o espaço para os pedestres é muito estreito, o que torna o risco maior. Por nota, a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Porto (Cdurp) disse que a posição do município “é de que as grades não devem permanecer”, e que “a prefeitura está aberta e mantém o diálogo com a Marinha em busca de entendimento”.

Durante a Olimpíada, a Cdurp concordou com a instalação das grades, por causa do grande número de pessoas no local, mas, segundo a companhia, hoje elas não se justificam mais.

Para o presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, Sérgio Magalhães, as grades não têm sentido:

— Não precisa. Temos outros exemplos na cidade que atestam isso. Não há grades na orla do Arpoador, na Praça Quinze, na Praça Mauá, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Desde a Olimpíada, a Zona Portuária está funcionando bem e não há notícias de acidentes no local. As pessoas têm uma compreensão boa sobre isso. Espero que a Marinha tenha uma reflexão maior e compreenda que a colocação de grades é desnecessária — comentou.

O contra-almirante justificou as grades no Largo da Candelária (que foram retiradas nesta quarta-feira) afirmando que a parte “irrevogável” do contrato com o município diz respeito ao trânsito de pedestres de um lado ao outro do 1º Distrito Naval, da Praça Mauá à Praça Quinze, e não ao uso de toda a área.

— Esse terreno pertencia à Marinha e continua pertencendo, ao contrário da Praça Mauá, onde cedemos à prefeitura uma área de aproximadamente mil metros quadrados. Essa área pertence ao município, eles podem fazer o que quiserem lá, mas, aqui dentro, não — afirmou Cozzolino.

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De acordo com ele, o município não cumpriu o que foi acordado com a Marinha em troca do uso do terreno. Do novo refeitório prometido, 80% estão prontos, mas a obra do estacionamento subterrâneo de uso exclusivo dos militares está parada — o que motivou a instalação das grades na superfície, que estaria sendo frequentada por flanelinhas e usuários de drogas, segundo o contra-almirante. A Cdurp diz que o refeitório ficará pronto em janeiro, e o estacionamento, ainda no primeiro semestre — falta apenas a rampa de acesso.

Um dos responsáveis pelo projeto de reurbanização da Zona Portuária, o arquiteto João Pedro Backheuser também faz coro pela “limpeza” da área.

— Se as grades fossem necessárias, deveriam ser parte de um desenho como foi toda a área. É óbvio que um gradil improvisado prejudica a paisagem. Todas deveriam ser retiradas, inclusive as que estão junto ao mar.

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