BRASIL: E agora, Brasil?: 'Presídios, berço do crime organizado' - EntornoInteligente

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RIO – Em um ponto o ministro Raul Jungmann e o presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, concordaram durante o “E agora, Brasil”: o crime organizado nasce e se reproduz dentro dos presídios e de lá comanda as principais facções criminosas. Jungmann levantou, inclusive, a possibilidade, de terem sido celebrados acordos entre governos estaduais e grupos de presos. Ele disse que, à frente do Ministério da Defesa, comandou 33 vistorias em presídios de sete estados, e descobriu que, dos 22 mil presos, 11 mil (50%) estavam armados.

Veja também E agora, Brasil?: A importância do dinheiro exclusivo para segurança E agora, Brasil?: Hora de cobrar de países vizinhos E agora, Brasil?: ‘Intervenção falha na comunicação com público’, diz Jungmann E agora, Brasil?: Plateia esquenta debate sobre intervenção – Tinha tudo lá dentro, o que nos leva à seguinte conclusão: existem acordos entre o sistema prisional, o governo estadual e os que estão dentro da cadeia. Não é possível que você tenha 11 mil dos 22 mil armados, frigobar, geladeira, TV, chips, drogas, o que se quisesse. Como explicar o fato se não por um acordo tácito entre o governo e o sistema prisional? É algo estranho! – diz o ministro.

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No Rio, segundo ele, as duas primeiras varreduras das forças conjuntas foram realizadas poucos dias atrás. Os militares fizeram duas inspeções seguidas no presídio Bangu 3. Na primeira, houve um vazamento que permitiu aos presos jogar celulares pela rede de esgoto.

– Estamos no Rio desde julho de 2017 e nunca nos foi solicitado fazer uma varredura, não tínhamos autorização para isso.

O ministro voltou a afirmar que defende a instalação de parlatórios em todos os presídios, para que todas as conversas dos presos com seus visitantes sejam gravadas. Mas se queixou que sua proposta “tem sofrido reações corporativas”.

– O sistema carcerário é o berço do crime organizado no Brasil. De dentro das prisões as grandes gangues se comunicam com a rua. É preciso ter parlatório. Se não cortar isso vai ficar muito difícil atacar o comando do crime organizado.

Ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, e Renato Sergio de Lima, diretor presidente do Fórum de Segurança Pública – Agência O Globo

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Renato Sérgio de Lima informou que, das 30 facções criminosas existentes no país, 27 nasceram dentro das prisões.

– Resolver o problema dos presídios é resolver o problema dos crime. Qual o papel do Judiciário e do Ministério Público nesta conversa? Os presos provisórios são de responsabilidade do Poder Judiciário. O preso é gestão do Judiciário, o sistema prisional é gestão do Executivo, e ninguém sabe quem compra tornozeleiras eletrônicas – criticou o especialista.

FACÇÃO CRIMINOSA FORNECE ABSORVENTES

Para exemplificar o que ocorre nos presídios, Lima contou a história dos absorventes higiênicos para as presas de São Paulo. Como o governo do estado não sabia como fazer a compra, que custaria cerca de R$ 100 mil por ano, quem assumiu o encargo foi a facção criminosa que comanda os presídios paulistas.

– Quem fornece os absorventes é a facção criminosa que comanda os presídios de São Paulo – disse Lima, para surpresa dos convidados no evento realizado pelo GLOBO, com patrocínio da Confederação Nacional do Comércio e apoio do Banco Modal.

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Jungmann se queixou do super encarceramento hoje no Brasil. Dos 726 mil presos de todo o país, 255 mil não têm condenação, sendo que 155 mil são jovens entre 18 aos 21 anos de idade.

– É preciso discutir se, no caso do jovem que não tem antecedente criminal, o ideal é colocá-lo dentro do sistema prisional controlado pelo crime organizado. É isso que estamos fazendo. Nós recrutamos os soldados do crime organizado. Qualquer jovem que vai para dentro deste sistema vai se tornar presa de associações criminosas. Nossa política de encarceramento está levando água para o moinho do PCC, do Comando Vermelho e de outras facções.

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No ano passado, o Fundo Penitenciário Nacional recebeu R$ 1,7 bilhão. Este ano, R$ 1,2 bilhão. Mesmo com todo esse dinheiro, o número de vagas novas abertas nos presídios é reduzido. O ministro se queixa de obstáculos burocráticos e administrativos para a construção de presídios e diz que está tentando resolver o problema com gestões junto ao Judiciário.

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Para ajudar a esvaziar os presídios, será celebrado um convênio com a OAB, que indicará advogados dativos para socorrer os detentos que já cumpriram a pena ou têm direito a progressão de regime.

Lima se queixou também da falta de discussão da política de drogas.

– A gente nem discute, fica com uma vergonha danada de conversar. Enquanto isso, o Ministério do Desenvolvimento Social age na contramão de tudo que se está fazendo no país.

BRASIL: E agora, Brasil?: ‘Presídios, berço do crime organizado’

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