BRASIL: Autoridades criticam falta de sanções de Trump a oligarcas ligados a Putin - EntornoInteligente

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WASHINGTON E MOSCOU – Uma lista elaborada como uma medida de resposta às alegações de interferência russa na eleição presidencial de 2016 gerou um novo mal-estar entre Rússia e Estados Unidos e complicou ainda mais a relação do presidente americano, Donald Trump, com o Congresso de seu país. A relação de 114 políticos e 96 oligarcas que seriam próximos ao presidente russo, Vladimir Putin, e poderiam ser alvos de sanções, foi descrita pelo Kremlin como “um ato hostil”. Além disso, gerou críticas de congressistas americanos, que lamentaram a falta de novas sanções, e escárnio da imprensa após a revelação de que a seleção dos nomes fora realizada com base na lista dos homens mais ricos da Rússia da revista “Forbes”.

O único sinal de apoio veio do ativista Alexey Navalny, inimigo nº 1 do governo russo, que louvou o fato de a relação conter o nome de figuras com acusações de corrupção.

“Fico feliz de ver que eles foram internacionalmente reconhecidos como corruptos e ladrões”, afirmou Navalny no Twitter.

Veja também Putin se diz ofendido por não aparecer em lista de alvos de sanções dos EUA EUA divulgam lista de pessoas próximas a Putin que podem sofrer sanções Deputados pró-Putin denunciam ‘ingerência estrangeira’ em eleições Intensamente questionado sobre a ausência de novas sanções, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, garantiu que a lista — que foi compilada em seis meses e deveria, por lei, ser apresentada até amanhã — não deve ser, de maneira alguma, interpretada como uma decisão de abandonar sanções contra a Rússia. Ainda assim, a relação, que na prática acabou sendo apenas uma coleção de nomes poderosos e próximos a Putin, foi vista com desprezo dentro e fora dos EUA.

“Quais informações sigilosas foram usadas para elaborar essa lista? Não vejo qualquer sinal disso. Meu assistente teria feito uma igual em uma hora, talvez menos”, criticou no Twitter o ex-embaixador dos EUA na Rússia Michael McFaul.

Já Aleksei Venediktov, da rádio Eco de Moscou, foi mais duro:

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— Nossa equipe faria isso em 15 minutos — afirmou aos ouvintes.

Para os russos, tentativa de interferência

A publicação do documento era um requisito de uma lei aprovada no Congresso dos EUA, em agosto passado, para punir a Rússia por interferir nas eleições americanas de 2016, anexar a região da Crimeia e apoiar separatistas na Ucrânia. Na segunda-feira, o Departamento de Estado considerou que a lei já teria feito empresas russas perderem contratos de armamento e que, portanto, seria inútil impor novas sanções.

Os critérios utilizados para a elaboração da lista seguem confusos. O documento — que inclui todo o Gabinete de Putin, inclusive o premier Dmitri Medvedev e o chanceler Serguei Lavrov, além de dezenas de oligarcas com fortunas próximas de US$ 1 bilhão (R$ 3,1 bilhões) — contém uma seção que permanece confidencial. De acordo com o Departamento do Tesouro, ela “pode incluir indivíduos em posições subalternas e com fortunas menores”.

Da KGB a mistérios familiares, cinco curiosidades sobre Vladimir Putin Putin participa de treinamento de tiro: ex-agente da KGB Foto: Reuters Passado espião Nascido em 1952, Vladimir Putin cresceu no meio da Guerra Fria. Após se formar em Direito, na década de 1980 foi trabalhar na KGB, o temido Serviço de Inteligência soviético — ficando cinco anos na Alemanha Oriental como agente. Após o fim da União Soviética, chefiou a espionagem russa na sucessora da KGB, a FSB. Putin em fevereiro de 2000 Foto: Reuters Ascensão meteórica Após a dissolução soviética, Putin foi coordenador político do governo de São Petersburgo. Dali, tornou-se assessor do presidente Boris Yeltsin. Em 1998, passa a chefiar a FSB, e logo acaba nomeado primeiro-ministro por Yeltsin. Com a renúncia do presidente, vira presidente interino e ali começa sua sequência no poder. Putin é recebido para reunião de direitos humanos no Kremlin, em Moscou Foto: Yuri Kochetkov / REUTERS Cheio de dinheiro Putin é amigo de vários dos oligarcas que ficaram bilionários com a dissolução soviética. Fontes independentes dão conta de que ele usa conselheiros e assessores como ‘laranjas’, tendo um império bilionário e sendo um dos homens mais ricos do mundo. Ex-aliados já o acusaram de guardar fortunas ilegais. Putin posa com cavalo durante suas férias em Kyzyl, na Sibéria Foto: ALEXEY DRUZHININ / AFP Presidente cheio de pose Vaidoso, Putin gosta de aparecer em imagens divulgadas pelo Kremlin com poses viris, como lutando judô (é faixa preta), manuseando armas, nadando em lagos gélidos ou andando a cavalo. Também já apareceu tocando piano e com seus animais de estimação. Katerina e Putin: será que ela é a filha? Foto: Montagem Discreta vida familiar e amorosa Se Putin gosta de se mostrar abertamente em poses viris, o presidente por outro lado mantém sigilo total sobre seu círculo familiar. Nunca revelou oficialmente a identidade e rosto de suas filhas, Maria e Katerina. Separado em 2014 de sua mulher, Lyudmila, disse depois que estava apaixonado. Ainda não se sabe quem era a pretendente. Na Rússia, diversos nomes destacaram que muitos dos incluídos na relação não são próximos de Putin e, pelo contrário, enfrentaram problemas com o governo. Enquanto Konstantin Kosachev, chefe da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento, classificou a lista como “mais um sinal da paranoia política americana”, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, considerou a relação uma tentativa “óbvia e direta” de influenciar as eleições russas, agendadas para 18 de março.

Em entrevista ao “Huffington Post”, o diretor da CIA, Mike Pompeo, fez a acusação inversa e disse esperar tentativas da Rússia de influenciar as eleições americanas em novembro.

— Mas estou confiante de que conseguiremos ter eleições livres e justas, e que o impacto russo não será sentido — afirmou Pompeo.

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Durante um evento de campanha em Moscou, Putin brincou, dizendo-se “ofendido” por ter ficado fora da lista. O presidente negou que prepare qualquer represália a Washington.

— Não queremos piorar a situação — afirmou. — Esperamos desenvolver as relações com nosso colegas americanos até onde eles estiverem dispostos.

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Con Información de OGlobo

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