BRASIL: Argentina: citado na Lava-Jato, chefe da Inteligência vira alvo de deputados - EntornoInteligente

OGlobo /

BUENOS AIRES – Citado como receptor de US$ 850 mil de uma empresa de fachada investigada em um novo desdobramento da Operação Lava-Jato , o chefe da Agência Federal de Inteligência (AFI) argentina, Gustavo Héctor Arribas, é alvo de questionamentos no Congresso do país. O bloco kirchnerista quer que ele se explique sobre uma possível lavagem de dinheiro em parceria com operadores financeiros presos na Operação Descarte, deflagrada na quinta-feira pela Polícia Federal (PF) e a Receita Federal brasileiras.

A PF afirma que os crimes investigados envolvem lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação tributária e associação criminosa, além do aprofundamento das investigações para a coleta de indícios de autoria em relação a crimes de corrupção ativa e passiva. Agentes cumpriram 15 mandados de busca e apreensão em residências e empresas em São Paulo, Santos, Paulínia, Belo Horizonte e Lamin (MG). O Consórcio Soma, que realiza serviços de coleta de lixo na cidade de São Paulo, era o maior “cliente” do esquema, segundo os investigadores. O grupo teria feito pagamentos que somam R$ 100 milhões a empresas de fachada.

Segundo a PF, as empresas que participavam do esquema simulavam a venda de mercadorias aos interessados em lavar dinheiro. O interessado pagava por produtos inexistentes por meio de transferências bancárias ou boletos. Esses valores eram remetidos para as empresas de fachada, e os valores, enviados para o exterior ou para pessoas ligadas ao cliente inicial.

Macri (ao centro), Arribas (abraçado por criança) e colegas jogam tênis, em foto de arquivo – Divulgação De acordo com as investigações, uma das células do esquema teria remetido parte dos valores para Arribas através de transferências que passaram por contas offshore em Hong Kong. Apesar de o inquérito não mencionar o alto cargo que o chefe da Inteligência exerce, o fato logo chamou a atenção da imprensa e do mundo político argentino.

Publicidade

– Ainda não sabemos a razão para as transferências – afirmou o delegado Milton Fornazari ao “La Nación”. – O que sabemos é que foram feitos ilegalmente, sem notificar o Banco Central, usando uma clássica tática de lavagem de dinheiro para evitarem ser detectados pelas autoridades.

CITADO EM 2017 PELA ODEBRECHT

Arribas não foi acusado formalmente pela suposta captação ilegal dos recursos. No entanto, em 2017, a imprensa argentina noticiou que ele teria recebido cerca de US$ 600 mil da empreiteira Odebrecht, o que o fez ter afastamento pedido por grupos anticorrupção. Em março do ano passado, um juiz federal rejeitou acusações contra o chefe da AFI, afirmando que os fatos citados à época estavam fora de sua jurisdição porque teriam ocorrido no Brasil e não envolviam a Argentina.

Veja também Alto assessor de Macri que escondeu R$ 4 milhões em Andorra pede demissão Com popularidade em queda, Macri adota tom conciliador em discurso ao Congresso Macri congela salários do governo e proíbe contratação de parentes Macri entra em queda de braço com poderoso setor do sindicalismo – Apresentamos um pedido de interpelação para que Gustavo Arribas explique sua citação com as propinas da Operação Descarte – cobrou o deputado Rodolfo Tailhade, do bloco kirchnerista, autor do pedido de explicações. – A acusação só confirma o que já sabíamos. Houve um pagamento às escuras que não foi justificado de nenhuma maneira.

Arribas, que evitou responder a perguntas de jornalistas, disse em nota que não tem qualquer laço com a Lava-Jato e que só recebeu transferências internacionais pela venda da mobília de um apartamento, num valor equivalente a US$ 70 mil.

O escritório anticorrupção da Casa Rosada não comentou. E, depois de sofrer meses de baques políticos por ligação do presidente Mauricio Macri e de assessores com recursos e empresas offshore, o governo respaldou o chefe da AFI (que foi indicado pessoalmente pelo chefe de Estado).

Publicidade

– Não há nada de novo. Tudo se baseia na denúncia de Leonardo Meirelles (um dos primeiros doleiros delatores da Lava-Jato), que foi denunciado por Arribas como um mentiroso – disse o chefe de Gabinete do governo, Marcos Peña, pedindo “prudência”.

Arribas foi indicado por Macri em dezembro de 2015, logo no início do governo. Sem experiência no setor público, ele fez carreira como agente de jogadores de futebol. Ambos mantêm relações desde o tempo em que o atual presidente chefiava o Boca Juniors, mais popular clube do futebol do país.

Os presidentes de Brasil e Argentina, Michel Temer (esq.) e Mauricio Macri (dir.) em encontro do Mercosul em Brasília – EVARISTO SA / AFP

BRASIL: Argentina: citado na Lava-Jato, chefe da Inteligência vira alvo de deputados

Con Información de OGlobo

www.entornointeligente.com

Síguenos en Twitter @entornoi