BRASIL: Análise: Vírus da febre amarela se torna quase invisível nas florestas - EntornoInteligente

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RIO – Em tempos de febre amarela, fazer turismo com tranquilidade em áreas afetadas pelo vírus só é lazer para os vacinados. Para os demais, é exposição ao risco. O caso do turista holandês que contraiu a doença após passar pelo Estado de São Paulo exemplifica o que pode acontecer com quem se aventura em áreas de risco sem estar devidamente imunizado.

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Afetadas este mês, a Teresópolis das cachoeiras se encontra com a Valença das fazendas históricas por meio de áreas verdes. Em comum, esses municípios turísticos têm áreas rurais em contato direto com margens de florestas, territórios dos mosquitos silvestres Haemagogus e Sabethes, transmissores do vírus. Moradores e visitantes dessas zonas de transição foram os primeiros a adoecer.

As duas cidades repetem um cenário montado no verão passado, quando a epidemia se alastrou por Minas Gerais e Espírito Santo e, com menor intensidade, por Rio e São Paulo. Os caminhos da febre amarela são os limites de fragmentos de mata. A paisagem predominante é um mosaico de plantações, pastagens, áreas desmatadas e sobras de florestas que, na maioria dos casos, viraram reservas.

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A época do aparecimento de casos também é a mesma, por volta de janeiro. Mas a doença, acreditam especialistas, ganhou fôlego bem antes, por volta de outubro, mês em que começaram a ser encontrados macacos mortos em maior quantidade. Ao longo do ano, a mortalidade de primatas foi observada em menor frequência, explica a bióloga Marcia Chame, coordenadora do Centro de Informação em Saúde Silvestre e do Programa Institucional Biodiversidade e Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz.

O tempo do vírus não segue o nosso calendário. Historicamente, lembra Marcia, os surtos de febre amarela silvestre têm início em outubro e resistem por dois ou três anos, com picos nos verões e um declínio a partir do outono. O atual é o maior de todos em tamanho de área afetada quantidade de pessoas infectadas, mas não traz novidades no que diz respeito à época e à duração, apesar de o Ministério da Saúde tê-lo dado por encerrado em setembro. Começou entre 2016 e 2017 e prossegue.

Inédito é o ritmo acelerado com que o vírus se espalha pelo Sudeste desde o verão passado. O avanço da febre amarela parece dar saltos. Aparentemente, pula entre municípios que não são contíguos. Uma das hipóteses, investigada por Marcia e outros especialistas, é que ela tenha se tornado quase invisível nas montanhas cobertas pelos remanescentes da Mata Atlântica do Estado do Rio e reaparecido nas áreas de bordas. Ou seja, não saltou, passou despercebida. O certo é que o vírus continua a correr pelas bordas do mato.

BRASIL: Análise: Vírus da febre amarela se torna quase invisível nas florestas

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