BRASIL: Ana Magaly: ‘Adultos com incapacidade têm superproteção familiar’ - EntornoInteligente

OGlobo / “Nasci em San José, na Costa Rica. Vivo, atualmente, em uma província chamada Heredia. Sou uma mãe feliz de uma menina de 7 anos. Trabalho com pessoas com todos os tipos de incapacidade. Estudei no Japão, onde tive a oportunidade de aprender sobre inserção laboral.”

Conte algo que não sei.

As pessoas podem ter a deficiência que for, seja intelectual, sensorial, física ou psicossocial. Mas o entorno é que tem a incapacidade, quando não oferece a elas o que precisam. Todos temos a responsabilidade de construir e promover cidades, ambientes e projetos acessíveis.

Alguns questionam o termo deficiente. Você concorda?

Eu digo pessoa com incapacidade, porque, em primeiro lugar, são pessoas, e depois têm incapacidade.

Como surgiu o interesse por esse tema?

Fiquei em dúvida entre três carreiras: Relações Internacionais, Psicologia e Educação Especial. Resolvi trabalhar com a educação, porque pensei que meu trabalho nunca seria igual, por ter que interagir com pessoas tão diferentes todos os dias. Aos 26 anos, tornei-me professora e passei a pesquisar adultos.

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Quais os limites para a independência desses adultos?

As pessoas com incapacidade têm um lema: “Nada sobre nós, sem nós.” Isso é o que pedem: não tomem decisões por nós, perguntem-nos do que precisamos que diremos. Com os adultos com incapacidade há uma superproteção familiar que, no final, acaba sendo muito nociva, perversa.

E a sexualidade, como se encaixa nessa discussão?

Há uma resistência muito grande na família quando um adulto com incapacidade muda seu sujeito de amor para fora do núcleo familiar. O que acontece com pessoas sem incapacidade é que o amor incondicional pelos pais é direcionado, na idade adulta, para outra pessoa. Para a sociedade, isso é normal. Mas insistimos para que o adulto com incapacidade mantenha até o fim o pai e a mãe como principais figuras afetivas.

Mas a família não precisa estar presente?

Em primeiro lugar, as famílias devem ser educadas e capacitadas. Porém, o mais importante é que a família acredite que essa pessoa tem tudo para ser feliz, para conquistar um projeto pessoal com autonomia e independência. Nos cursos que realizo, a primeira reação das mães é me reprovar, mas depois acabam me amando. É como um despertar, ao se dar conta de que não se pode ser dono do corpo do outro.

O que outras pessoas podem fazer para ajudar?

Quando as pessoas reconhecem que a incapacidade está no entorno, que é possível promovê-la ou eliminá-la, mudam. Todos somos responsáveis. O desafio é pensar coletivamente, interagir com quem tem algum tipo de deficiência. Quem não se relaciona não conhece o outro.

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Como é o sistema de cotas para pessoas com incapacidade na Costa Rica?

Nos concursos públicos, são reservadas 5% de vagas. É o que a lei manda, mas não é cumprido. Quem está liderando esse processo são as empresas privadas. Elas não são obrigadas, mas fazem por responsabilidade social e empresarial. Estão vendo a contratação de pessoas com incapacidade como um valor agregado. Boas empresas incluem pessoas diversificadas.

Um percentual de 5% é suficiente?

Sonharia com 20%. Mas se todos cumprissem a cota de 5% já estaria de bom tamanho.

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