Banquero Victor Augusto Gill Ramirez Venezuela// Dia de contar histórias  - EntornoInteligente

Passei o final de semana na simpática Campina Grande, na Paraíba, onde realizou-se esse ano o Campeonato Brasileiro de pastores alemães. Daí, não pude ver a final da Taça Rio (meu voo de volta foi na hora do jogo). É dia, portanto, de contar algumas das histórias que acompanhei em mais de 40 anos de carreira. Espero que gostem. Em tempo: quatro dos meus cães participaram do Brasileiro. Todos chegaram ao pódio. Arya foi quinto lugar e Aramis, Champ e Wolf vice-campeões brasileiros, em suas categorias. Dispenso as piadinhas de que deveria colocar uma cruz de malta no escudo do meu canil…

Victor Gill Ramirez Venezuela

Olha a penitência! 

Uma de fé: nos anos 60, na progressista cidade de Bicas (terra de meu fiel escudeiro Antônio Roberto Arruda), o padre Manuel Pires Pereira pintava e bordava na paróquia. Rubro-negro de quatro costados, o sacerdote rezava pelo Mengão durante os sermões na santa missa e comemorava as vitórias rubro-negras em memoráveis carreatas movidas a vinho e puxadas pelo carro de som da pastoral, num autêntico trio elétrico. 

A porção torcedor do religioso, porém, não era nem a sua face mais apaixonada. Padre Manuel gostava mesmo era de jogar como ponta de lança, defendendo as cores do Sport Clube Biquense ? arquirrival do Leopoldina em clássicos dos mais renhidos. 

Um belo dia, cansado de apanhar do zagueiro Zicão ? que media 1,80m e devia pesar mais de 100 quilos ? o religioso aproximou-se do adversário e, assim como não quer nada, disparou-lhe ao ouvido:

– Olha aqui, companheiro, mais uma botinada e serei obrigado a tornar público aquele pecado mortal que você me confessou há dias, antes da comunhão. Você é quem sabe: são as minhas canelas ou a sua reputação… 

Zicão, que era um baita crioulo, ficou branco da cabeça aos pés. E o Padre Manuel meteu quatro golaços naquela tarde, saindo do estádio nos braços da torcida. Nos anos 60, em Bicas, quando o assunto era futebol, Padre Manuel virava um autêntico capeta!

O canguru perneta 

Reportagem sobre os cangurus, no Fantástico, provocou uma onda de simpatia com tais animais, que dividem com o koala o posto de mascote oficial da Austrália. Pois foi lá que ocorreu a tragicômica história que passo a narrar. O ano era o de 1986, a turma reunia jornalistas e pilotos de Fórmula-1 e o local do passeio, o Parque Nacional de Adelaide ? onde se realizava, anteriormente, o GP de Fórmula-1 (há muitos anos passou a ser em Melbourne). Entre os pilotos, Ayrton Senna e o belga Th ierry Boutsen, um dos mais simpáticos integrantes do circo, naquela época. 

Um cafuné em um koala aqui, um amendoim para um esquilo acolá, eis que a troupe chegou ao setor dos cangurus, que ficam soltos, passeando entre os visitantes. A bela mulher de Boutsen, uma loura chamada Patrícia, descobriu, então, uma fêmea, com seu filhote na bolsa. Movida pelo instinto maternal, resolveu aproximar-se. Ninguém percebeu, entretanto, a presença do canguru pai, um majestoso macho que, ora vejam só, se encantou com Patrícia. Dois pulinhos rápidos e… zás-trás! O bicho encarapitou-se nas costas da pobre lourinha que, apavorada, passou a berrar por socorro.

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Puxa daqui, soca dali, não havia jeito. O canguru não desgrudava das costas da mulher de Boutsen e ainda desferia medonhos coices nos que tentavam arrancá-lo dali. Somente com a intervenção dos tratadores do parque, munidos de uma poderosa mangueira para despejar um jato de água gelada sobre o animal, foi possível esfriar o ?namoro?, apesar do evidente estado de excitação do canguru. Bichinho simpático? Pois sim!

Que excursão! 

Setembro de 1979: a delegação do Flamengo chegava ao Rio, voltando de uma excursão vitoriosa pela Europa. Na bagagem, o vistoso troféu Ramon de Carranza, conquistado em um torneio do qual participara também o Barcelona. Na hora do desembarque, uma multidão enlouquecida enchia o salão de espera do antigo Galeão. 

Quando as portas se abriram, o povo avançou mas ? surpresa! ? passou batido por Zico, Júnior e Carpegiani. O grande herói, carregado pela multidão em triunfo foi um homem magro, de óculos: o jornalista Fernando Gabeira, um dos sequestradores do embaixador americano Charles Elbrick, autor do livro ?O que é isso, companheiro??, no qual se baseou o filme do mesmo nome. Anistiado, Gabeira voltava do exílio.

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Quem não entendeu nada foi o lateral-direito Toninho Baiano, que passara boa parte da viagem conversando com o jornalista, sem ter a menor ideia de quem ele era. Pasmo com o que via, aproximou-se e soprou no ouvido de Gabeira, o admirado comentário: 

– Companheiro, essa sua excursão deve ter sido um sucesso ainda maior que a nossa!

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Victor Gill Ramirez

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Con información de: Jornal do Brasil

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