BRASIL: Os encontros com desconhecidos notáveis de Alexandre Sequeira
 Inicio > Internacionales | Publicado el Viernes, 02 de Diciembre del 2016
BRASIL: Os encontros com desconhecidos notáveis de Alexandre Sequeira


OGlobo / RIO — Em 2004, o fotógrafo e artista visual paraense Alexandre Sequeira pôs o pé na estrada e, 300 quilômetros depois, chegou a uma pequena vila de "duas ruinhas de terra", onde a população vivia do que plantava e pescava. Carregada uma câmera no ombro. A máquina foi desfazendo envergonhamentos, promovendo aproximações, suscitando conversas. Aos poucos, a reduzida população de Nazaré do Mocajuba se sentiu confortável para pedir um 3x4 para um documento, um retrato de um parente que já não iria viver muito… Foi assim que, ao longo de um ano, Sequeira virou o retratista informal da cidade. E os moradores posaram altivos para a sua lente. Convidado a frequentar suas casas, ele próprio passou a se sentir à vontade para fazer pedidos. E começou a solicitar objetos pessoais ("em troca de novos", faz questão de dizer). O lençol de Pokémon do garoto Luccas, a toalha de mesa florida de Benedita, e outros, ganharam uma nova função: Sequeira imprimiu neles, em tamanho real, as fotografias de seus donos. Um dos mais emocionantes trabalhos do artista, a série inspirou uma palestra no TEDxAmazônia e chega agora ao Museu de Arte do Rio (MAR), como parte da exposição "Meu mundo teu".

— Todas as séries lidam com o acontecimento que a fotografia suscita, o que a imagem fotográfica é capaz de ativar — diz o artista, de 55 anos. — Mais do que trabalhos, são documentos de um processo.

Uma das curadoras da mostra (ao lado de Janaina Melo), Clarissa Diniz define Sequeira como um "disparador de relações". Já ele costuma dizer que "ninguém no mundo está com a mão vazia, todos têm algo para entregar ao outro".

— O único desafio é a gente estar sempre muito atento para ficar esperto e perceber que isso tudo está pulsando bem do nosso lado — alerta.

A premissa parece guiar o olhar de Sequeira, proporcionando encontros incríveis com pessoas notáveis. O trabalho "Meu mundo teu", que batiza a exposição, foi feito com dois jovens, Tayana e Jefferson, que não se conheciam. Ela vivia na periferia de Belém; ele, numa ilha próxima à capital. O artista os estimulou a trocar cartas falando de seus mundos, e depois a registrá-los com uma câmera artesanal. Um deles fotografava, e depois Sequeira passava a câmera ao outro, que utilizava um segundo furinho no mesmo equipamento. Com isso, as imagens se sobrepunham, confundindo informações dos dois universos — a mata de Jefferson se misturava à rua de terra batida onde Tayana morava, por exemplo. O próprio nome do trabalho foi fornecido por Jefferson: a expressão estava numa carta que ele escreveu para Tayana.

RAFAEL E A ARMADILHA PARA DISCOS VOADORES

"A Mullher do Pé de Manga", imagem da série "Entre Lapinha da Serra e o Mata Capim" - Divulgação / Alexandre Sequeira Em outra série, quando perambulava pela Serra do Cipó atrás de inspiração para sua tese em Poéticas Visuais na Universidade Federal de Minas Gerais, conheceu o garoto Rafael, então com 13 anos. Guia mirim, Rafael estava obcecado por proteger sua cidade, Lapinha da Serra, das ameças do futuro, como a chegada iminente de discos voadores.

— Na época, a estrada estava começando a ser asfaltada — conta Sequeira. — O futuro efetivamente chegava à cidade, e eu, míope, demorei para perceber algo que estava a um palmo de mim: era amedrontador para aquele garoto. Quando me dei conta do que ele falava, propus imediatamente: "Vamos construir armadilhas para proteger a vila dos discos voadores".

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Ele ajudou Rafael a construir o artefato e, mais do que isso, imprimiu cartões-postais da traquitana, que passaram a fazer sucesso entre os visitantes. Também inventou uma imagem para a Mulher do Pé de Manga, espécie de alma penada cuja existência, garantida pelo menino, era motivo de zombaria na cidade. A foto, em tamanho real, foi estampada em cartazes espalhados pela cidade com os dizeres: "A Mulher do Pé de Manga: quem acredita nela?". E reproduziu o mapa que Rafael fez da cidade, para que o fotógrafo não se perdesse.

Com o nome de "Entre Lapinha da Serra e o Mata Capim" (2009-2010), essa série documenta todo o processo, em que o menino deixou de ser visto como sonhador e virou guardião da comunidade.

— A arma para Lapinha da Serra se afirmar diante do futuro que chegava nasceu do sonho de Rafael em proteger sua cidade — diz Sequeira, que trouxe o garoto, agora um jovem de 19 anos, para o Rio; na última terça-feira, Rafael entrou pela primeira vez num museu, e conversou com visitantes da mostra.

Na exposição há ainda três exemplares da série "Identidade calcinada" (2003), que deflagrou todo o trabalho que viria depois. Ciente da grande quantidade de trabalhadores de rua em Belém, e de como eles eram invisíveis aos olhos da população, Sequeira produziu papéis artesanais a partir do ofício de cada um — como as aparas de papel do apontador do jogo do bicho, o bagaço de cana do cortador da cana-de-açúcar, ou do resíduo da folha do milho de um vendedor de milho-verde. Pintou todos de preto. E, depois, imprimiu ali o retrato de cada trabalhador, "como se a imagem estivesse se apagando", diz. Pela obra, ganhou o prêmio do Salão de Arte do Pará.

Crianças veem o trabalho 'Constelação de Tião', o mais recente da mostra, realizado no Morro da Providência - Leo Martins / Agência O Globo O trabalho mais recente à mostra no MAR foi feito neste ano, a partir da obstinação de uma moradora do Morro da Providência, no Centro do Rio. Aline Moraes queria encontrar um velho retratista da comunidade, Sebastião Pires de Oliveira, o Tião. Ela desenvolve atividades educativas no local e é frequentadora do museu. Lembrava-se de como Tião registrou, dos anos 1960 a 1980, momentos felizes no morro, como casamentos, batizados, encontros festivos. Quando conseguiu um contato, em novembro de 2015, soube que ele acabara de morrer e que a irmã dele, Isabel, precisava desocupar o quarto onde Tião guardava o acervo. Foi assim que Aline chegou ao MAR, com quatro malas e uma pergunta: "O que vamos fazer com todo esse material?". A resposta parecia clara: Alexandre Sequeira. Ele subiu o morro, procurando pessoas fotografadas por Tião e ouvindo suas histórias, além de refazer imagens tiradas há mais de 30 anos, como a de dona Ondina com o netinho no colo ("hoje, é ele quem poderia carregar a avó", brinca o artista). "Constelação de Tião" (2016) ocupa uma imensa parede, com as fotos originais e as de Sequeira, negativos 5x5, e monóculos que o velho fotógrafo entregava aos clientes.

— Os jovens de hoje não conhecem o trabalho de Tião. A ideia é fazer com que esse conteúdo volte a circular. — diz Sequeira.

Circular, afetar e colaborar são verbos-chave na obra do paraense, um arquiteto de formação que sempre trabalhou com artes visuais (é inclusive professor da área na Universidade Federal do Pará). Se uma imagem vale mais do que mil palavras, como diz a máxima da fotografia, as de Sequeira valem mais do que mil histórias.

"MEU MUNDO TEU"

Onde: Museu de Arte do Rio (MAR) — Praça Mauá 5, Centro (3031-2741).

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Quando: Ter. a dom., das 10h às 17h. Até 26/2.

Quanto: R$ 20. Às terças, grátis.

Classificação: Livre.

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Con Información de OGlobo

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