Crise no CPDOC, que completa 45 anos, preocupa acadêmicos
 Inicio > Internacionales | Publicado el Jueves, 15 de Febrero del 2018
Crise no CPDOC, que completa 45 anos, preocupa acadêmicos


OGlobo /

RIO- Quando o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) foi criado, em 1973, a socióloga Celina do Amaral Peixoto, primeira diretora da instituição, vivia dentro de um caminhão, ao lado do motorista, recolhendo arquivos pessoais. O primeiro a chegar foi o do avô, Getúlio Vargas. De viagem em viagem, o CPDOC conseguiu reunir um precioso acervo de História Contemporânea do país. Celina lembra da emoção de ver doadores indo às lágrimas ao ceder os seus arquivos "como se entregassem uma parte deles mesmos". Esta mesma emoção a socióloga renova agora, 45 anos depois, no esforço de impedir que uma crise financeira destrua um dos maiores centros de referência na produção de conhecimento sobre o passado recente do Brasil.

Veja também Quinze instituições de ensino superior no Rio 'reprovam' em avaliação do MEC Doze universidades tiram nota máxima em avaliação do MEC Apenas 5,6% das instituições de ensino superior do Rio têm nota máxima em conceito do MEC — Temo que tudo isso esteja se perdendo. Temo pela ganância, pelo apelo ao dinheiro como forma de se sustentar.

Celina se refere à demissão, em janeiro, de quatro veteranas pesquisadoras do CPDOC, a escola de Ciências Sociais da FGV: Verena Alberti, Mônica Kornis, Luciana Heymann e Dulce Pandolfi. A fundação alegou que "com o país tendo atravessado fortíssima recessão, fez-se necessário a redução de despesas", mas Celina e outros membros da comunidade acadêmica temem que as demissões façam parte de um processo de mudanças mais profundo, que prejudique a tradicional linha de pesquisas do CPDOC e reduza a instituição a uma unidade de ensino, reforçando a capacidade de gerar recursos e ser autossustentável.

CRIAÇÃO DURANTE A DITADURA

A tradição do CPDOC começou nos anos de chumbo do regime militar, por iniciativa da família Vargas. No início da década de 1970, Alzira Vargas do Amaral Peixoto, filha de Getúlio e mãe de Celina, procurou o então presidente da FGV, Luiz Simões Lopes, para convencê-lo a guardar na fundação o arquivo pessoal do pai. Era um conjunto de documentos que detalhava a trajetória pública de Getúlio, focalizando todos os eventos políticos ocorridos de 1930 a 1950. Entre diários, correspondências, recortes de jornais, cartões postais, filmes e outros documentos, a família tinha em casa uma das versões assinadas da famosa carta-testamento de 1954, deixada por Getúlio antes do suicídio .

O que a instituição guarda Criado em 1973, o CPDOC reúne um dos mais importantes acervos de História contemporânea do país Documentos Depoimentos Referências Estão depositados no CPDOC arquivos pessoais de personalidades históricas, como Oswaldo Aranha e Gustavo Capanema. O primeiro doado foi o do ex-presidente Getúlio Vargas O Programa de História Oral, criado em 1975, coleciona mais de mil entrevistas com figuras históricas, como Juscelino Kubitschek e Carlos Chagas Filho, totalizando 5 mil horas de gravação O CPDOC publica, desde 1984, o Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. A última atualização, feita em 2010, a publicação contava com cerca de 7.500 verbetes São 1,8 milhão de documentos em todo o acervo, entre correspondências, fotografias, livros e manuscritos O CPDOC publica, desde 1984, o Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, que cobre o período pós-1930. Na última atualização, feita em 2010, a publicação contava com cerca de 7.500 verbetes O CPDOC publica, desde 1984, o Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, que cobre o período pós-1930. Na última atualização, feita em 2010, a publicação contava com cerca de 7.500 verbetes Título de eleitor do ex-presidente Getúlio Vargas Ex-presidente Ernesto Geisel Dom Pedro II e a família real O que a instituição guarda Criado em 1973, o CPDOC reúne um dos mais importantes acervos de História contemporânea do país Documentos Estão depositados no CPDOC arquivos pessoais de personalidades históricas, como Oswaldo Aranha e Gustavo Capanema. O primeiro doado foi o do ex-presidente Getúlio Vargas São 1,8 milhão de documentos em todo o acervo, entre correspondências, fotografias, livros e manuscritos Título de eleitor do ex-presidente Getúlio Vargas Depoimentos O Programa de História Oral, criado em 1975, coleciona mais de mil entrevistas com figuras históricas, como Juscelino Kubitschek e Carlos Chagas Filho, totalizando 5 mil horas de gravação O CPDOC publica, desde 1984, o Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, que cobre o período pós-1930. Na última atualização, feita em 2010, a publicação contava com cerca de 7.500 verbetes Ex-presidente Ernesto Geisel Referências O CPDOC publica, desde 1984, o Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. A última atualização, feita em 2010, a publicação contava com cerca de 7.500 verbetes O CPDOC publica, desde 1984, o Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, que cobre o período pós-1930. Na última atualização, feita em 2010, a publicação contava com cerca de 7.500 verbetes Dom Pedro II e a família real

Alzira não se conformava em deixar toda essa memória trancada, longe da maioria dos pesquisadores. Poucas pessoas, como o médico e historiador Hélio Silva, tinham o privilégio de consultar a documentação na casa da família.

As correspondências entre Getúlio e alguns dos personagens da Revolução de 1930, como Oswaldo Aranha, Flores da Cunha e Batista Luzardo, por exemplo, estavam organizadas pela filha em ordem cronológica, "em pastas que ela carregava como se fosse um tesouro", recorda-se Celina. A família temia que os homens da ditadura militar hostis ao varguismo, em pleno governo do presidente Emílio Médici, invadissem a casa atrás da documentação.

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A doação do arquivo de Vargas motivou famílias de outros personagens da mesma geração de políticos, como Oswaldo Aranha, Gustavo Capanema, Cordeiro de Farias e Juracy Magalhães, a seguir a iniciativa. Certa vez, Celina fez questão de ir pessoalmente, de caminhão, ao apartamento alugado no Flamengo, Zona Sul do Rio, pela família de Capanema, ex-ministro da Educação da Era Vargas, só para guardar a papelada. Ela se recorda ainda que o ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) Etelvino Lins chorou quando entregou o seu arquivo.

Este rico acervo, de um tempo em que os políticos se comunicavam por cartas e não se sonhava com e-mail ou WhatsApp, representou um marco para a pesquisa histórica ao jogar mais luz em episódios essenciais e permitir uma visão mais profunda de pelo menos meio século de política brasileira. Lançado em 1984, com quase 4.500 verbetes em seus quatro volumes, o Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro foi um dos produtos que emergiram dos arquivos doados. Obra pioneira, atualmente com cerca de 7.500 verbetes, até hoje é fonte fundamental para novas pesquisas.

Como nem todos os personagens do cenário político guardavam documentos, com o tempo a equipe do CPDOC começou a fazer entrevistas gravadas. Um dos mais importantes depoimentos foi dado pelo ex-presidente Ernesto Geisel para um projeto de história oral militar. O trabalho ocupou 19 sessões entre julho de 1993 e março de 1994, mais dez encontros para entrevistas complementares a fim de chegar a um texto definitivo. Geisel morreu logo após revisá-lo.

Nos primeiros anos, os projetos de pesquisa contavam com financiamento de órgãos de fomento como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a americana Fundação Ford. Mas, aos poucos, o dinheiro foi minguando e o CPDOC passou a depender dos repasses da FGV para fechar as contas, transformando-se no "primo pobre" das rentáveis escolas de Economia (EPGE) e de Administração (Ebap) da fundação. A aposta no ensino, nos campos da graduação e pós-graduação das áreas de Ciências Sociais e História, valendo-se da fama acumulada, seria uma forma de o CPDOC fazer caixa e reduzir a dependência da FGV.

O problema é que, embora bem avaliados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), os cursos não atraíram a quantidade de alunos desejada. Um dos professores, que prefere ficar anônimo, disse que a própria sede da FGV na Praia do Flamengo, não ajudava, com seus seguranças de terno, catracas, e executivos circulando entre as salas de aula. Faltava-lhe o "ethos" de um curso tradicional de Ciências Sociais ou de História, onde aos alunos andam à vontade e curtem a liberdade do campus.

Pressionada pela mantenedora, a direção do CPDOC iniciou um processo de redução da folha de pagamento em 2008, quando estabeleceu um plano de aposentadoria para professores acima dos 65 anos. Aos poucos, o centro perdeu pesquisadores de renome, como Ângela de Castro Gomes, Marly Motta, Dora Rocha e Lúcia Lipp. Como o achatamento salarial, outra leva desembarcou do prédio da Praia do Flamengo, atraída por concursos em universidades públicas ou convites mais interessantes na área privada. Foi a vez de Maria Celina D’Araújo, Helena Bomeny e Fernando Weltman, entre outros, se despedirem.

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MANIFESTO CONTRA DEMISSÕES

Mas os cortes não foram suficientes. Em janeiro último, quatro professoras foram surpreendidas com a solicitação de comparecerem ao RH. Uma delas, Dulce Pandolfi, não se conformou com a frieza do comunicado de demissão. Em carta aberta para agradecer a solidariedade dos colegas, alertou para o risco de destruição do centro e disse que as demissões indicam "um desprezo, por parte da direção do CPDOC, pela liberdade de pensamento, pelo funcionamento democrático das instituições, pelo caráter público do conhecimento". Segundo ela, uma petição pública conta com quase 2.800 assinaturas, entre as quais nomes expressivos do mundo político e intelectual — sobretudo no campo da História e das Ciências Sociais —, exige a volta dos demitidos.

Em artigo recente no GLOBO, intitulado "Consternação", o antropólogo Roberto DaMatta escreveu que "não deixa de ser uma amarga ironia que o CPDOC tenha florescido num regime marcado pela agressão e pela censura e hoje — quando se faz um enorme esforço para consolidar uma democracia que seja mais do que um nome engolfado pela política como captura de riqueza e poder partidário — haja preocupantes sintomas de desmontagem de um núcleo de tamanha importância".

Assim que soube das demissões, a fundadora, Celina do Amaral Peixoto, ligou para o atual diretor da entidade, professor Celso Castro, para cobrar explicações. Ele confirmou que as razões eram de ordem econômica, no sentido de reduzir as despesas. Para O GLOBO, porém, Castro recusou-se a falar. Preferiu divulgar um comunicado por meio da fundação: "A FGV ignora a existência de qualquer crise. A instituição não vive de subsídios, mas sim da receita dos seus serviços, que permite a ampla produção de bens públicos. Com o país tendo atravessado fortíssima recessão, fez-se necessário a redução de despesas. Em função do exposto, a fundação precisou dispensar alguns dos seus quadros".

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Con Información de OGlobo

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