Alberto Ardila Olivares// Silvia Buarque - identidade definida - EntornoInteligente

Em 1987, quando interpretou Lucinha na novela ?Corpo santo?, que alcançou estrondoso sucesso na extinta Rede Manchete,  Silvia Buarque tinha 18 anos e sua experiência profi ssional se resumia a uma participação em ?Dona Beija? e três peças infanto-juvenis. ?Me chamaram para ser uma das protagonistas e fui despreparada, era muito fraca?, diz, sem rodeios, a atriz.  

Se na década seguinte ela se tornou conhecida do grande público ao emendar várias novelas na Rede Globo, hoje tem uma trajetória sólida no teatro.  ?Sou muito exigente, só faço um espetáculo se eu achar que é algo muito bom?, afirma Silvia, que está em cartaz em ?Um dia como os outros?, no Espaço Cultural Municipal Sergio Porto, no Humaitá. Acabou de participar das filmagens de ?Montanha russa?, de Vinícius Reis, e se prepara para fazer outro em breve, ?Sick?, de Alice Furtado.

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?Me considero feliz e privilegiada por estar envolvida nesses projetos ainda no primeiro semestre?, festeja. 

     Filha de Marieta Severo e Chico Buarque, Silvia nasceu na Itália, durante uma viagem dos pais.

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?Minha mãe estava grávida de seis meses quando foi para lá, justamente no ano da decretação do AI-5. Aí, meu pai começou a receber recados contundentes para que não voltasse ao Brasil. Poderia até dizer que foi charmoso nascer em Roma, mas, na verdade, foi péssimo, porque adiantaram meu parto, feito a fórceps.

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Nasci no dia 28 de março e tenho uma carta datada de 8 de abril do meu pai, ainda no hospital, enviada a algum parente no Brasil?, relata ela, que um ano depois já estava em solo brasileiro com a irmã Helena na barriga de Marieta.

Apesar das fortes referências familiares, Silvia Buarque não foi moldada para seguir a carreira artística.

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?Não posso dizer que fui criada nas coxias. Claro que eles me levavam a shows e espetáculos, mas era uma vida muito regrada: escola de manhã,  balé, inglês.

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Eu achava que seria jornalista, antropóloga ou cientista política. Até fazia teatro, só por diversão, porque minha vertente artística desabrochou mais tarde?, afirma. Ela conta o momento exato em que surgiu a oportunidade de pisar num palco: ?Tinha uns 15 ou 16 anos e estava com um grupo de amigos no Baixo Gávea, quando Carlos Wilson, o ?papa? do teatro infanto-juvenil, me convidou para fazer parte do elenco de uma adaptação de ?Os 12 trabalhos de Hércules?.

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Eu respondi que não era atriz, mas ele insistiu, perguntando se eu dançava. Meus amigos até hoje mexem comigo por causa da resposta que eu dei: ?Eu topo, mas não quero falar??, brinca Silvia, referindo-se ao fato de ser uma pessoa que adora conversar.

Após a estreia ?dançante? nos palcos, Silvia fez duas outras peças e recebeu o convite para integrar o elenco de ?Corpo santo?: ?Cheguei a dar ?uma voltinha? pela PUC, cursando dois períodos de Geografia, porém abandonei, porque foi justamente quando comecei a fazer a novela?, conta.

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A atuação no folhetim de José Louzeiro levou à contratação pela Globo, onde fez ?Bebê a bordo?, ?Sexo dos anjos?, ?Perigosas peruas? e a minissérie ?O sorriso do lagarto?. 

Depois desse período na TV, Silvia conta que sentiu a necessidade de gerenciar a carreira.

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?Foi quando me aproximei do pessoal do teatro, que estava naquela fase dos encenadores?, diz ela, que trabalhou com Gabriel Villela, Moacyr Góes e Bia Lessa, um período importantíssimo em sua vida profissional.

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?Foi quando moldei uma identidade própria e comecei a plantar o que estou colhendo. Tenho muito orgulho e não me arrependo, sequer, de nenhuma das mais de 20 peças que fiz na época?. 

O currículo faz com que se defina como ?mais de teatro?, apesar de ter consciência de que, pelo menos no Brasil, os artistas não devem se classificar como de teatro, de cinema ou de TV.

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?A atuação também me levou a estudar os grandes encenadores. Era a fase de Peter Brook, de Bob Wilson…Foi um momento onde consegui casar a capacidade, o desejo e a admiração?, afirma. 

Sobre a peça ?Um dia como os outros?, dirigida por Bianca Byington e Leonardo Netto – que encerra temporada no Espaço Cultural Sergio Porto em 2 de abril – Silvia diz que este é um dos projetos mais amorosos de sua vida.

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?Montamos pela primeira vez há sete anos e tudo foi lindo – ensaios, entrosamento, crítica. Começamos com sete pessoas na plateia e terminamos com gente voltando da porta?, lembra, orgulhosa, fazendo questão de atribuir o mérito da reestreia à Bianca.

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?Nesse estado de penúria que estamos vivendo no Estado, com cortes de verbas e apoios para a área cultural, ela é uma vencedora ao conseguir retomar uma peça, inclusive com o mesmo elenco.

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Espero que seja possível continuar a temporada em outro espaço. Aliás, o pessoal do teatro é um dos mais resistentes neste cenário?, reconhece.

Trabalhos inéditos no cinema 

Dentro de duas semanas, Silvia Buarque começa as filmagens de seu próximo longa, chamado ?Sick?: ?É o primeiro trabalho dela e me entusiasmei bastante, tanto com a equipe, que tem uma galera jovem e talentosa, como o roteiro, que tem uma pegada de terror.

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Na história, eu sou mulher do personagem de Lourenço Mutarelli  e mãe de uma jovem de 18 anos que passa por um grave problema psicológico?, antecipa.

 Casada há 14 anos com o ator Chico Diaz, com quem tem uma filha, Irene, Silvia fala da experiência de trabalhar a dois no cinema.

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No caso, no longa ?Montanha russa?, que tem roteiro original também de Vinícius Reis e colaboração de Flavia Castro e Fellipe Barbosa.

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?Vinícius escreveu muito em cima da vida do pai, então é um filme permeado de relações fortes. Chico é um homem que é obrigado a se aposentar cedo e entra em crise e eu sou sua mulher. Eles se separam por terem desejos diferentes: enquanto ela quer investir num pequeno negócio, ele quer morar numa cidade de interior?, adianta. 

A atriz conta que o cineasta, que já havia trabalhado com Chico no longa ?Praça Saens Peña?, de 2002, escreveu os papéis pensando neles: ?Isso me deu uma força incrível, quando vinha alguma crise, alguma dúvida.

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Me senti nua nesse papel?.

 O casal já havia trabalhado junto no longa ?Os pobres diabos?, de Rosemberg Cariry, lançado ano passado.

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?Nesse, eu era mulher do Gero Camilo e o traía com o Chico?, conta, rindo. Aliás, o caminho que levou ao casamento dos dois não foi nada ?tradicional?: ?Eu sempre fui muito amiga do Enrique, irmão de Chico, que também estudou no Ceat (Centro Educacional Anísio Teixeira).

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E, mesmo nos conhecendo há tanto tempo – Chico também estava no elenco de ?Corpo santo? – só começamos a namorar depois de um longo tempo?, conta.

 Sobre a opção de ser mãe depois dos 30 anos, Silvia conta que aconteceu naturalmente.

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?Chico é meu terceiro marido, então, acho que foi a hora certa com o homem certo?, declara. Sobre as tendências artísticas de Irene, ela diz preferir que a filha não siga a carreira artística, mas não esconde a corujice: ?Ela faz aula de teatro na escola e uma vez fui ver uma peça.

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Olha, com 12 anos, ela é muito melhor do que eu aos 18!?.          

Ela não só é mãe coruja como não esconde ser filha também.

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?Sempre estive numa batalha para existir independente dos meus pais. Ser filha de Marieta e Chico e, principalmente dele, é pesado. Porque acho que o fato de ser um compositor e poeta alcança de forma mais contundente, apaixonada e ampla a alma das pessoas.

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Consegui desenvolver um jeito saudável de lidar com a questão. De todos os aspectos que envolvem isso, o único que realmente ainda acho muito chato é quando as pessoas têm uma opinião sobre mim só pelo fato de eu ser filha deles, sem sequer me conhecerem?, explica.

Engajada desde criança, Silvia diz que, se não fosse pelo fato de ser uma pessoa pública e filha de quem é, seria muito mais ativa politicamente.

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?Ganhamos, recentemente, um processo contra um homem que nos chamou de canalhas e ladrões no meu Instagram.

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O que eu considerava inofensivo, e adorava publicar amenidades, virou um espaço de ataques, mas também de afago de muitas pessoas, só que acabou perdendo a graça para mim.

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Hoje é um perfil fechado, assim como meu Facebook?, explica a blindagem. 

Ainda assim, Silvia não se exime de seu posicionamento claramente pró-Lula e contra o governo atual, que considera golpista: ?Eu não imaginava que fossem ter tantas consequências terríveis para o país.

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Oscilo, hoje em dia, entre o desânimo, a raiva e um fio de esperança. Esse último sentimento eu tive ao ir à manifestação no dia seguinte ao assassinato da  Marielle (Franco, vereadora do PSOL), onde presenciei uma coisa muito bonita?, afirma. 

Lembrando que muita gente alia seu ativismo ao posicionamento dos pais, Silvia atribui também muito de sua formação humanista ao Ceat, onde estudou na juventude.

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?Minha  escola recolhia donativos para os grevistas no ABC. Foi quando ouvi falar de Lula pela primeira vez, em 1979, e comecei a me interessar por política. Caso ele seja preso, vou continuar atuante, mas sei que meu lado apaixonado vai arrefecer e vou acabar votando no candidato de esquerda que estiver na frente?, lamenta.

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Con información de: Jornal do Brasil

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